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Colecções em fascículos

Um fenómeno interessante de observar nesta nossa sociedade de consumo, é o da proliferação das colecções em fascículos que, uma atrás da outra, inundam todos os quiosques e tabacarias por esse país fora. É digna de admiração a dedicação que estas pessoas têm (ou julgam ter quando compram o primeiro número) para andar a prestar atenção àquilo durante dois anos.
Lamentavelmente, este é um sector que, nos ultimos tempos, tem-se ressentido à custa de uma gritante falta de criatividade por parte das pessoas que idealizam estes lançamentos. Afinal de contas, quem é que fica entusiasmado com uma colecção de dedais de porcelana?!
Por isso, decidi dar uma ajudinha ao pessoal da Salvat e do Planeta do Agostinho. Eis, pois, algumas ideias DQD para colecções futuras.

-Pregos e parafusos de todo o Mundo: A sua porta de entrada para o fascinante universo dos pregos e parafusos. Com todas as entregas, um magnífico exemplar (prego ou parafuso) e um fascículo, generosamente ilustrado, onde poderá acompanhar toda a história destes objectos, e ficar ainda a saber algumas curiosidades sobre os mesmos (sempre úteis para animar festas ou para passar por terrivelmente culto).

– Armas automáticas: Quinzenalmente no seu quiosque, autenticas armas de fogo automáticas, ideais para animar qualquer fim-de-semana com os amigos ou com a família, ou mesmo para descarregar o stress da vida quotidiana. Nesta colecção poderá encontrar desde os clássicos (a mítica UZI), até à mais recente novidade no guetto norte-americano.
(OK, confesso que esta não é totalmente original: acabou de sair o primeiro fascículo de “Navalhas de Colecção”… Excelente ideia! Por dois ou três euros qualquer um pode comprar uma arma branca na tabacaria mais próxima…)

– Os mais belos sacos de plástico de Portugal: Toda a história do saco de plástico (desde a sua introdução, em meados do século XX, até à actualidade) é fielmente retratada nesta colecção. Uma réplica em tamanho real de um saco emblemático (incluindo raridades, como o saco de Natal do Continente de 1987) em cada entrega e, a cada três entregas, uma moldura para poder adornar as paredes da sua sala com os seus sacos favoritos. Com a primeira entrega: saco do Feira Nova.

– As melhores drogas da cena: Gosta do ocasional chuto mas não gosta da paisagem decadente do Casal Ventoso? Curte ver o SIC 10 Horas sob o efeito de LSD, mas não grama ter de andar às escondidas da bófia? Esta colecção é para si! Com todos os números, uma nova droga da melhor proveniência. A ampla gama de drogas leves e duras promete agradar qualquer um, deste o toxicómano mais experiente, ao mero curioso. Os fascículos contêm todos os factos relevantes sobre as variadas drogas, e ainda instruções sobre como preparar o seu próprio crack sem sair do conforto da sua cozinha (são horas de diversão para si e para os seus mais queridos). Claro que, se não gostar de ler, pode sempre usar os fascículos como filtro (as capas mais rijas) ou como mortalha (a impressão é inteiramente feita em papel próprio para essa função). Garantimos a contínua reposição de números antigos nas bancas, assim evitando a ressaca.

– Reis da cortiça: Agora já pode ter a embelezar a sua sala, e para surpresa e inveja dos seus convidados, a efígie de todos os Reis de Portugal, cuidadosamente pintada à mão por grandes mestres, em rolhas da melhor cortiça nacional. Com os fascículos pode ainda aprender a magnífica arte de pintar rolhas, com descrições cuidadas e passo-a-passo sobre como obter os melhores resultados quando pintar a sua rolha.

e finalmente,

– As melhores colecções em fascículos do Mundo (em fascículos): Com esta colecção em fascículos, poderá ficar a conhecer a história das colecções de fascículos que deixaram a sua marca em milhares de consumidores. Cada fascículo será dedicado a uma colecção em fascículos, reproduzindo-se fielmente um fascículo dessa colecção em fascículos, e explicando-se no fascículo (o fascículo da colecção sobre fascículos, não o fascículo fielmente reproduzido, naturalmente) a importância dessa colecção em fascículos. O último fascículo será dedicado à própria colecção (e reproduzindo um fascículo de um número anterior).




“Navalhas de Colecção” – ocorreu-me exactamente a mesma coisa quando ha uns dias atrás fui comprar o jornal e vi por €3,99 uma faca de mato exposta mesmo ao lado do DN.
Ainda fiquei na dúvida e fui mmo olhar de perto para me certificar se era de plástico ou à séria…
“As melhores colecções em fascículos do Mundo (em fascículos)” – Simplesmente genial!


Há apenas um problema nesta última colecção. Se o último fascículo for dedicado à própria colecção e reproduzir um fascículo de um número anterior, então esse próprio fascículo estará a ser dedicado a uma outra colecção qualquer, certo? Ora se o tema da colecção são as colecções em fascículos (plural), então reproduzir um número anterior dá-nos apenas um insight sobre uma colecção. Ou seja, a reprodução desse fascículo não vai fazer justiça ao tema da colecção.
Das duas uma, ou criámos aqui um paradoxo de Poincaré (um objecto definido através de uma classe de objectos que incluem o próprio objecto a ser definido), ou o Planeta do Agostinho tem aqui uma rica bota para descalçar…
Não seria boa ideia pedir ao Acácio Jeremias para lhes escrever uma carta sobre este assunto?


É uma boa questão… Se houver mesmo um paradoxo, sera que isso pode significar que o colapso do universo como o conhecemos pode estar iminente? Será que o departamento de lógica da Universidade de Cambridge está interessado em analisar o problema? Bom, gostava de poder dizer que tenho uma resposta definitiva, mas infelizmente sou um mero curioso nestas coisas das colecções de fascículos… Se calhar, o melhor mesmo é pedir ao Sr. Acácio para enviar a tal carta. No entanto, não substimemos as brilhantes mentes que trabalham no Planeta Agostini: se conseguem ganhar a vida a editar colecções de tralha, também devem de encontrar uma solução para contornar este problema. Pelo que me toca, já pensei em duas: 1- fazer um número dedicado, não a uma colecção, mas a duas, e depois, na última entrega, reproduzir esse número; ou então, 2 – no último número, o fascículo reproduzido é o fascículo desse mesmo número (onde se poderia fazer uma retrospectiva da colecção: assim, já se ficaria com a noção que a colecção era sobre colecções). Isto seria paradoxal, mas que se lixe!


que tal uma colecção de pastilhas elásticas? Tenho saudades das “pirata”…


Vocês são todos malucos.


É o que dizem dos génios! Isto é só boas ideias!


Possuo uma colecção de sacos de plástico de todo o mundo. Começou por uma brncadeira e hoje é um espanto. Está catalogada por países, por cidades, etc.

São cerca de mil e tal. Não sei o seu valor, mas penso que países são 47. Acham que valerá alguma coisa?

Cumprimentos.

José Mantas


eu faço colecção de ideias !! 🙂

Bons resultados são boas ideias em prática.
há por aqui material interessante.
pT

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