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Uma carta de desamor

Cara Bárbara,

Quando leres esta carta, já eu estarei longe. Peço-te que não me procures. Isso só traria mais dor. A ti e, muito especialmente, a mim.

A verdade é que a nossa relação já estava, há muito, moribunda. Temos de ter a força (e eu sei que tu tens força!) de romper com este jogo de ilusões, e de encarar a situação tal como ela é.

Não escondo que a gota de água foi eu ter chegado a casa mais cedo (curiosamente, por causa da ruptura de uma conduta de água), surpreendendo-te a meio da tua orgia com a selecção feminina de halterofilismo. Tu bem que me tentaste convencer que estavam só a treinar luta greco-romana, mas eu, que já assisti a transmissões televisivas desta modalidade, tenho a certeza que o uso de algemas não está previsto nas regras do jogo.

Mas não é só por isto que agora me afasto. Não façamos de conta que as coisas não estavam mal muito antes deste infeliz episódio. Desde que te dedicaste ao culturismo que pareces não ser a mesma pessoa. Aquela pessoa doce e terna que eu conheci.

Não escondo que passámos bons tempos… Nunca me hei-de esquecer daquela vez que mandaste um funcionário da EMEL para o Hospital de Sta. Maria, com um braço deslocado. O que nós rimos…

Mas enfim, ultimamente, a nossa vida em conjunto tem-se tornado insuportável. Eu juro que enlouqueço se te vejo rasgar ao meio mais alguma lista telefónica: para além de ser irritante, faz uma grande lixarada, e é estar a estragar uma coisa que ainda dá jeito! Se tivéssemos uma lista telefónica em condições, sempre evitava ter de estar a ir à Internet de todas as vezes que preciso de um quiroprata.

Noutro dia, acordei com uma dor de cabeça e, por engano, em vez de tomar um Ben-U-Ron, engoli um dos teus comprimidos de esteróides. Tive de ir a correr até ao escritório. Convenhamos, isto é chato! Por um lado, porque assim não aproveito o passe da Carris como devia. Por outro, porque chego ao notário todo suado. E as pessoas não gostam! Parece que ficam desconfiadas, não sei porquê… Seja como for, não posso celebrar escrituras a cheirar à cozinha daquele restaurante exótico onde fomos uma vez (tu lembras-te: aquele onde mandaste um empregado para o Hospital de Sta. Maria, com o braço deslocado. Fartámo-nos de rir!).

Agora, chegou ao fim. Sei que esta relação me vai deixar marcas para o resto da vida.

Sofridamente,

Eufémio Branquinho




Bom Dia dos Namorados, meus pombinhos…


Bom sentido de humor! Olha e se fizesses um site humoristico?

Era boa ideia!


Nós bem temos tentado, caro António… Bem temos tentado…

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