Filmes porno hard-core
Estava eu a consultar o cartaz dos cinemas, num qualquer jornal diário, quando me deparo com a seguinte informação:
Lisboa – Cine Paraíso
FILMES PORNO HARD-CORE
“A sério?! – Pensei eu – Que diacho! Quer então dizer que ainda não é hoje que lá passam o Vale Abraão, do mestre Manoel de Oliveira…”
(Um aparte: eu gostava mesmo que os responsáveis do Cine Paraíso passassem, uma vez sem exemplo, o Vale Abraão. Tenho a certeza que haveria pessoal a aguentar todas as três horas do filme à espera de um eventual gang-bang à Bovarinha… Para além disso, estou convencido que o cinéfilo mais conhecedor não desdenharia a oportunidade de rever esta obra-prima do cinema português nas instalações do Cine Paraíso: se o filme já é bom no conforto da nossa sala-de-estar, o que não será num anfiteatro marcado por texturas e odores, de suco masculino feitos, acumulados ao longo dos anos à custa do suor de muitos e generosos contribuintes…)
Dizer que no Cine Paraíso passam filmes porno hard-core é um bocado como um restaurante dizer na ementa “comidas variadas”.
Esta é, quanto a mim, uma situação absolutamente lamentável. A pobreza das informações que são passadas aos media justifica os mais aguerridos insultos que se queira lançar aos responsáveis pela programação do dito cinema! É em pequenas coisas como estas que se vê que o Cine Paraíso não conhece o seu público. E isto entristece-me. A ideia que dá é que, para esta gente, qualquer coisa serve, desde que tenha badalhoquice. Mas não é assim. Dentro do universo dos apreciadores de pornografia, há toda uma pletora de gostos específicos: há aqueles que gostam de um filme com alguma estrutura narrativa, e há aqueles que gostam só de montagens de malta a montar; há os que preferem uma ênfase no anal, e há os que a preferem no sexo em grupo; uns preferem produções americanas, outros produções europeias (filmes de outras partes do mundo, curiosamente, são mais raros. O que é feito do world-porn?); uns gostam de zoofilia, outros gostam de interracial; uns gostam de sado-maso, outros têm um fetiche por pés…
Como se vê, há toda uma orgia de problemas que os responsáveis pelo Cine Paraíso insistem em ignorar… Vamos lá ver isso, se faz favor! Quero poder abrir um jornal e deparar-me com títulos como “Gulosas por vergas” ou “Bundas insaciáveis”. A Razão exige-o, e os masturbadores compulsivos também…



APROVADO.
Zá // 28.07.2008